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10 setembro 2010

A verdade é que, agora que me sento para (te) escrever, reparo que não preciso de inventar nada: lembro-me de tudo, exactamente de tudo, hora por hora, quase cada olhar nosso, cada gesto, cada sorriso, cada amuo. (...) Eu sei que isto parece uma frase feita, mas tinha a sensação nítida que haviam passado muito mais do que as três noites. Parecia-me que já tínhamos vivido um bocado de vida imenso e tão forte que nós mesmos não falávamos disso, mas sentiamo-lo, em silêncio: era como se o segredo fosse a própria partilha dessa sensação. (...) Mas foi então que percebi que não eras apenas tu me protegias, mas que também eu tinha que te proteger: também tu precisavas de mim ao teu lado, das minhas conversas ou do meu silencio, dos nossos risos e gargalhadas ou dos nossos amuos e discussões, da minha mão, quando estendias a tua só para (me) sentir.

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